sexta-feira, 11 de setembro de 2009

António Soares Marques, cantando e tocando

"Ou porque foi vítima de um acidente, e esteve hospitalizado, ou porque esteve preso e encarcerado, ou porque algum amigo seu morria ou chegava do ultramar, tudo era motivo para escrever uma cantiga ou outra.
Não esquecia aqueles que lhe faziam bem e os versos que lhes dedicava expressavam esse sentimento.
Neles retratava aquilo que via e descrevia as vivências de uma vida dedicada à música e ao seu acordeão, numa altura em que eram grandes as privações e quando encontrar um animador era como encontrar uma grande fortuna, porque era ele quem alegrava o coração e rejuvenescia a alma. Entre "viras" e "marchas", "poesias" e "dedicatórias" lá foi passando para o papel aquilo que mais sentia nos momentos de grande tristeza ou de maior alegria.
A única obra de sua autoria, encontra-se reunida numa edição a que chamou "Os passos da minha vida" e nela fui encontrar, em verso, a alma da gente simples e devota que não dispensa uma ida à romaria onde, invariavelmente, se dançavam e cantavam as músicas de António Soares Marques, "cantador e tocador", como gostava de se identificar.
Nasceu a 10 de Março de 1919 em Pinheiro de Ázere, Santa Comba Dão, casando aos 25 anos com uma moça da povoação de Sobral, São Pedro de Alva. Hoje é utente do lar de idosos da Fundação Mário Cunha Brito e lá permanecerá, provavelmente, até ao fim dos seus dias. Se fosse mais jovem, com toda a certeza, acompanhava o Ruizito em divertidas e incansáveis garraiadas, às quais dificilmente se faltaria."
Para quem não se recorda, António Soares Marques é o autor da "Marcha de S. Martinho", o hino de abertura da Tuna de S. Martinho, da qual chegou a ser maestro e ensaiador. 
Aqui fica a homenagem, publicada no Penacova Actual.

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